Liderança e Carisma na Seleção Portuguesa de Râguebi

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O investigador Miguel de Almeida Telles publicou, em 2012, no âmbito da sua dissertação de mestrado, os resultados de um estudo que incidiu sobre o râguebi. Tal como a pesquisa desenvolvida pelos doutores Carlos Ribeiro e António Cruz-Ferreira, de que já se falou neste “site”, trata-se de uma publicação tanto mais interessante quanto rara, por incidir sobre o râguebi, um desporto pouco estudado nas suas dimensões sociais. Almeida Telles procedeu à investigação enquanto mestrando do ISCTE.

O objetivo de Almeida Telles passava por analisar o papel de liderança do treinador da seleção nacional de râguebi (“rugby union”, ou râguebi de 15, para não se confundir com o râguebi “sevens”) e a sua influência no compromisso assumido pelos jogadores da seleção. O método de recolha de dados selecionado pelo investigador foi o questionário, tendo sido validados 4 conjuntos de perguntas para cada um dos 24 jogadores que participam habitualmente nas convocatórias dos “Lobos” (tal como são conhecidos, informalmente, os jogadores da seleção portuguesa de râguebi.)

A importância do carisma

O tema da relação pessoal entre jogadores e treinador tem sido focado na comunicação social ao longo dos últimos anos, uma vez que tem sido apontado como um dos principais fatores que contribuem para o sucesso desportivo de uma equipa, embora geralmente no âmbito do futebol. No início da década passada, era voz corrente que um dos grandes motivos para o sucesso das equipas de futebol treinadas por José Mourinho era precisamente a forma personalizada e individualizada como o treinador português se relacionava com os jogadores, e como colocava a sua relação com o grupo de trabalho acima de tudo o resto.

Os resultados da investigação do Dr. Almeida Telles vêm contribuir para confirmar esta noção. No seu conjunto, os jogadores da seleção de râguebi demonstraram valorizar de sobremaneira o carisma do treinador e as “trocas sociais” que estabelece com eles. Inevitavelmente, e pesem os aspetos técnicos e táticos inerentes ao desporto, a componente relacional e social é importante para que uma equipa seja mais do que a soma dos seus talentos individuais.

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